Cronópios
Sort by:
Showing 24 items
Decade:
Rating:
List Type:
Muita gente me pergunta o que significa "cronópio". Esta é uma pergunta para a qual não existe uma resposta objetiva. Os cronópios – assim como os famas e as esperanças – nasceram da fértil imaginação do escritor argentino Julio Cortázar, no livro "Histórias de Cronópios e de Famas". O livro reúne pequenos contos de realismo fantástico, surrealismo, absurdo, com muita poesia, ironia e humor, divididos em "Manual de Instruções", "Matéria Plástica", Estranhas Ocupações" (com a apresentação da insólita, divertida e fascinante família da Rua Humboldt) e naturalmente as tais "Histórias de Cronópios e de Famas", onde temos a chance de conhecer melhor esses estranhos seres que têm muito a ver com os seres humanos.
Alguns anos mais tarde Cortázar lançou o livro de ensaios "Valise de Cronópio" (que também dá nome a este site pessoal), com textos sobre o romance, o conto, o poema, Louis Armstrong, o surrealismo, o fantástico, Carlos Gardel, o erotismo na ficção, Thelonius Monk, entre outros sortimentos da valise.
"‘Histórias de Cronópios e de Famas’, o sexto livro de Julio Cortázar, foi escrito em Roma e em Paris, no período de 1952 a 1959, e publicado em 1962, um ano antes de ‘O Jogo de Amarelinha’, A Encyclopédie Universalis (Paris, 1970), que dedica mais de uma página a Cortázar, dando assim uma medida do prestígio internacional do escritor argentino, qualifica o livro como ‘desconcertante’. E acrescenta: ‘Sobre um fundo de caricatura da vida em Buenos Aires, é uma seleção variada, insólita, de notas, de fantasias e de improvisações. Um humor melancólico, irônico ou violento, cheio de uma curiosa poesia, ali se desdobra num estilo carregado de imagens intensas e de achados verbais e psicológicos’.
O título é o mesmo no original em espanhol. A chave de que se necessita para penetrá-los é universal. Que são cronópios? Que são famas? O leitor irá descobrindo por si mesmo, à medida que entra no mundo fantástico desvendado pelo autor; e nisto achará um prazer que se renova a cada instante. Mas não será nenhum desmancha-prazer adiantar alguns dados rápidos sobre as origens e o temperamento dessas fascinantes criaturas.
O próprio autor, uma noite em Paris, num concerto, assim descreveu os seus personagens: ‘Eram tão estranhos que eu não conseguia vê-los claramente, uma espécie de micróbios flutuando no ar, uns glóbulos verdes que pouco a pouco iam tomando caraterísticas humanas’. A forçados cronópios é a poesia. Eles cantam, como as cigarras, indiferentes ao prosaísmo do quotidiano; e quando cantam, esquecem tudo, são atropelados, perdem o que levam nos bolsos e até a conta dos dias.
Os famas são seres acomodados, prudentes, dados ao cálculo, e embalsamam suas recordações. Se a família vai se hospedar num hotel, mandam um na frente para verificar os preços e a cor dos lençóis. Os famas sabem tudo da vida prática, mas os cronópios sentem por eles uma compaixão infinita.
Além dos cronópios e famas, há também as esperanças. ‘As esperanças, sedentárias – escreve Cortázar –, deixam-se viajar pelas coisas e pelos homens, e são como as estátuas, que é preciso ir vê-las, porque elas não vêm até nós’."
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Os cronópios são os artistas, os poetas, os sonhadores, criaturas com sensibilidade à flor da pele, que não ligam para os padrões, modismos e regras da sociedade, que sentem e enxergam além do óbvio e que não conseguem viver sem criar e fazer arte. Os famas são pessoas racionais, sensatas, cerebrais, os cientistas, matemáticos, meticulosos em tudo o que fazem, que só acreditam no que a ciência e o racionalismo podem explicar, mas que apesar de tudo sabem apreciar a arte e a poesia – apesar de em geral não entendê-la muito bem. E finalmente as esperanças, calculistas, mesquinhas, egoístas; os políticos, os militares, os ultra-direitistas, que adoram a censura, o poder, o controle da vida alheia, e que detestam ser contrariados e desobedecidos. Em que categoria você se enquadra?
---- texto de ozlopesjr.multiply.com/journal/item/211
“Os cronópios, em compensação, esses seres desordenados e frouxos, deixam as lembranças soltas pela casa, entre gritos alegres, e andam no meio delas e quando passa alguma correndo, acariciam-na com suavidade e lhe dizem: “Não vá se machucar”, e também “Cuidado com os degraus”. É por isso que as casas dos famas são arrumadas e silenciosas, enquanto nas dos cronópios há uma grande agitação e portas que batem.”
Alguns anos mais tarde Cortázar lançou o livro de ensaios "Valise de Cronópio" (que também dá nome a este site pessoal), com textos sobre o romance, o conto, o poema, Louis Armstrong, o surrealismo, o fantástico, Carlos Gardel, o erotismo na ficção, Thelonius Monk, entre outros sortimentos da valise.
"‘Histórias de Cronópios e de Famas’, o sexto livro de Julio Cortázar, foi escrito em Roma e em Paris, no período de 1952 a 1959, e publicado em 1962, um ano antes de ‘O Jogo de Amarelinha’, A Encyclopédie Universalis (Paris, 1970), que dedica mais de uma página a Cortázar, dando assim uma medida do prestígio internacional do escritor argentino, qualifica o livro como ‘desconcertante’. E acrescenta: ‘Sobre um fundo de caricatura da vida em Buenos Aires, é uma seleção variada, insólita, de notas, de fantasias e de improvisações. Um humor melancólico, irônico ou violento, cheio de uma curiosa poesia, ali se desdobra num estilo carregado de imagens intensas e de achados verbais e psicológicos’.
O título é o mesmo no original em espanhol. A chave de que se necessita para penetrá-los é universal. Que são cronópios? Que são famas? O leitor irá descobrindo por si mesmo, à medida que entra no mundo fantástico desvendado pelo autor; e nisto achará um prazer que se renova a cada instante. Mas não será nenhum desmancha-prazer adiantar alguns dados rápidos sobre as origens e o temperamento dessas fascinantes criaturas.
O próprio autor, uma noite em Paris, num concerto, assim descreveu os seus personagens: ‘Eram tão estranhos que eu não conseguia vê-los claramente, uma espécie de micróbios flutuando no ar, uns glóbulos verdes que pouco a pouco iam tomando caraterísticas humanas’. A forçados cronópios é a poesia. Eles cantam, como as cigarras, indiferentes ao prosaísmo do quotidiano; e quando cantam, esquecem tudo, são atropelados, perdem o que levam nos bolsos e até a conta dos dias.
Os famas são seres acomodados, prudentes, dados ao cálculo, e embalsamam suas recordações. Se a família vai se hospedar num hotel, mandam um na frente para verificar os preços e a cor dos lençóis. Os famas sabem tudo da vida prática, mas os cronópios sentem por eles uma compaixão infinita.
Além dos cronópios e famas, há também as esperanças. ‘As esperanças, sedentárias – escreve Cortázar –, deixam-se viajar pelas coisas e pelos homens, e são como as estátuas, que é preciso ir vê-las, porque elas não vêm até nós’."
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Os cronópios são os artistas, os poetas, os sonhadores, criaturas com sensibilidade à flor da pele, que não ligam para os padrões, modismos e regras da sociedade, que sentem e enxergam além do óbvio e que não conseguem viver sem criar e fazer arte. Os famas são pessoas racionais, sensatas, cerebrais, os cientistas, matemáticos, meticulosos em tudo o que fazem, que só acreditam no que a ciência e o racionalismo podem explicar, mas que apesar de tudo sabem apreciar a arte e a poesia – apesar de em geral não entendê-la muito bem. E finalmente as esperanças, calculistas, mesquinhas, egoístas; os políticos, os militares, os ultra-direitistas, que adoram a censura, o poder, o controle da vida alheia, e que detestam ser contrariados e desobedecidos. Em que categoria você se enquadra?
---- texto de ozlopesjr.multiply.com/journal/item/211
“Os cronópios, em compensação, esses seres desordenados e frouxos, deixam as lembranças soltas pela casa, entre gritos alegres, e andam no meio delas e quando passa alguma correndo, acariciam-na com suavidade e lhe dizem: “Não vá se machucar”, e também “Cuidado com os degraus”. É por isso que as casas dos famas são arrumadas e silenciosas, enquanto nas dos cronópios há uma grande agitação e portas que batem.”
Added to
People who voted for this also voted for
Historietistas argentinos
My Favorite Prison Movies
Favourite Movies of 2007
French
Directores argentinos
Memorable Music Quotes
Movie Challenge of 2008
My Tearjerkers
Don't You Forget About Me - Amnesia in Films
Criadores e criaturas
My Comic Journal
50s films
Tearjerkers :(
Ultimas Películas Vistas
Top 100 Favorite Movies Ever
More lists from Nusch
PHOTOS | Jumpology by Philippe Halsman
Escritores Malditos
Geek Books
Information lists
O que eles escreveram nas cartas de suicídio
My favorite movies villains
Posters designed by Maciej Hibner
Login
1097
8
7.8













































