O decadentismo de Clark Ashton Smith
Existe beleza na tragédia? É uma pergunta bem interessante e com várias respostas dependendo dos pontos de vista de cada um, para grande parte das pessoas a tragédia, o sofrimento e o luto surgem como uma parte negativa e terrível da vida, algo que torna a existência intragável ou mesmo insuportável.
No poema Ozymandias se fala sobre um rei do Egito cujo o memorial tinha a sguinte frase "contemplai as minhas obras e desesperai-vos" mas ao olhar para os lados havia apenas ruínas, areia e memórias, memórias consumidas pelo tempo, o verdadeiro senhor desse mundo, que consome tudo, do menor dos frascos a maior das estrelas, nada está escape e isso é o cerne da filosofia de Clark Ashton Smith, um dos mais talentosos escritores nascidos no círculo de Lovecraft.
O decadentismo nasce da ideia apocalíptica de que a nossa civilização está entrando em decadência moral, espiritual e artística, uma visão profética de que o mundo e o universo estão morrendo e que não há o que possa ser feito, gerando um extremo pessimismo quase niilista(bem niilista em alguns casos)
E como resposta a esse declínio civilizacional os decadentistas optaram por outro caminho, que foi afirmar a beleza da tragédia e da decadência, em vez de odiar e desprezar o declínio eles começaram a ver a beleza em toda essa decadência.
Caminhar por um império em ruínas como a república de Weimar ou passear pelas vielas e favelas do Brasil no século 21 pode gerar sentimentos distintos, entre eles uma melancolia extrema, algo como "esse lugar é amaldiçoado, está morrendo, não há futuro aqui" os decadentistas por outro lado vêem essa miséria e falam "isso também é belo e nos convoca a reflexão"
Como uma borboleta sentada sobre a estátua de um grande herói esquecido há muitas eras, é basicamente uma filosofia de contemplação do mal, da estética negra, sombria e caótica, nos lembrando que o mundo é realmente isso, caótico, sombrio, contraditório e ao mesmo tempo muito belo.
28 Views
0
Login