Review of Adimirável Chip Novo   

Oito anos atrás

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[este texto é um exercício para a escola]

Há oito anos atrás eu tinha doze anos e estava na sexta série. Fazia um ano que eu tinha conhecido o Rock. Conheci primeiro os essenciais pra se iniciar; Ramones, Raul Seixas, Dead Kennedys, Nirvana, Bad Brains, entre outros. Foi aí que, das rádios, veio uma artista cujo disco, o primeiro, me disse coisas que na época eu queria ouvir, além de me apresentar outras ideias: Pitty e o seu Admirável Chip Novo.

O primeiro disco de Pitty, ao todo, tem um discurso de libertação, de se posicionar sobre os outros. Aos doze anos, aprendendo sobre o Rock e todo seu discurso de liberdade, dos punks e o seu "faça você mesmo", Chip Novo me caiu como uma luva. Já no primeiro sigle, Máscara, a cantora entoava "O Importante é ser você, mesmo que seja bizarro". Para um pré-adolescente, isso quer dizer muita coisa.

As letras do álbum permeiam por isso. Em Só de Passagem, fala-se de consumismo, de valores materiais se sobreporem aos imaterias: "Eu possuo muitas coisas. E nada disso me possui". Decorrente dessa identificação de discursos eu nunca mais consegui deixar de analisar as letras de todas as músicas escutaria dali pra frente.

Pitty é uma chuva de referências. Seus discos posteriores também confirmam isso. Em O Lobo, do Chip Novo, há uma alusão clara à Thomas Hobbes, um dos principais pensadores do Iluminismo, século XVIII: "O homem é o lobo do homem". Eu, que já gostava de História, agora pesquisava qualquer possível referência percebida no álbum. A música que dá título ao disco também é dotada de referências. O nome em si é uma uma alusão ao livro Admirável Mundo Novo, ficção científica de Adous Huxley. A mensagem da música emana um tom demasiadamente irônico, muito parecido com Deus lhe Pague, de Chico Buarque.

O som do disco também não me soava diferente. Em Máscara eu ouvia, mesmo que de longe, um New Metal que já escutara em outras bandas que gostava. Em O Lobo, a guitarra secundária me remeteria anos depois a Rage Against The Machine. Na música I Wanna Be, além do próprio título, eu não conseguia me esquecer dos Ramones. E, por mais que isso soe contraditório, tudo aquilo junto me soava diferente. Para mim, uma novidade.

É certo que o álbum de estreia de Pitty carrega consigo artifícios mercadológicos, radiofônicos. Refrões repetitivos, por exemplo. Mas isso não impediu a minha admiração e identificação com Admirável Chip Novo, que até hoje me agrada. E tudo isso começou há oito anos atrás.

7/10

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Added by Leonardo Knox 1 year ago
on 22 June 2011 22:42
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Comments

Posted: 1 year, 11 months ago at Jun 22 23:00
Own querido. Que banho de nostalgia levei agora. Como eu lembro daqueles dias, dos nossos gostos.
Posted: 1 year, 7 months ago at Oct 7 23:24
"Como eu lembro daqueles dias" [2]. Muito bom, gostei do texto. Concordo com ele, esse álbum é ótimo, convenhamos.

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